11/10/2018 - 02h52

Lei proíbe, mas é comum empresa pedir mais de 6 meses de experiência

Fonte: UOL
 
Você sabia que uma empresa não pode exigir mais de seis meses de experiência profissional do candidato? Pouquíssimas respeitam a lei e pedem dois, até cinco anos de atuação —algumas, com comprovação em carteira. Mas o fato é que a lei trabalhista 11.644 existe há dez anos e não mudou, apesar da reforma trabalhista.
 
Criada para evitar discriminação dos profissionais em início de carreira, foi seguida apenas no começo, segundo Fernando Peluso, professor de Direito do Insper. “Como fiscalizar a empresa se o recrutador vai separar todos os currículos que recebeu ao longo do dia e fazer um corte entre os candidatos que têm experiência e os que não têm?”
 
Além da dificuldade da fiscalização, existem formas de camuflar a exigência, solicitando no anúncio da vaga um profissional sênior ou pleno. Apenas um jeito diferente de escrever a mesma coisa.
 
Não há fiscalização, mas dá para denunciar
 
Não há fiscalização da conduta dos empregadores quanto à exigência de experiência. Mas é possível fazer a denúncia na ouvidoria do Ministério do Trabalho pelo telefone 158, por carta, presencialmente e pela internet —de forma anônima, se quiser.
 
Quando há denúncia, o Ministério do Trabalho diz que faz a investigação, e a empresa deve demonstrar que não há discriminação. Segundo Peluso, se for comprovada, a empresa terá como proposta assinar um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), em que se compromete a não repetir a ação.
 
No TAC, é negociada uma multa caso haja descumprimento. Não há valor fixo para essa multa.
 
Mas o candidato não recebe nenhuma indenização, pois o ministério está mais preocupado com a infração em si, e não com a compensação individual, conforme Peluso.
 
Como melhorar seu currículo
 
Uma forma de incluir alguma experiência no currículo é se engajar em um trabalho voluntário. “Busque uma instituição que lhe dê atribuições, rotinas, vivências diversas. Você pode incluir tudo isso no currículo, e isso vai ajudar, principalmente para quem está entrando na vida profissional”, disse Thayane Fernandes, especialista em marketing digital, da Vagas.com.
 
Acompanhe as dicas que Thayane selecionou para valorizar o currículo e se destacar, apesar da pouca experiência.
 
Certificações são bem-vindas: se tiver inglês, invista no inglês avançado, por exemplo; busque certificações técnicas para a habilidade que desenvolveu. Cursos também ajudam. “Sem a experiência, a formação é o que vai chamar a atenção dos recrutadores”, disse a especialista. Podem ser cursos online (muitos deles, gratuitos) de curta duração.
 
Não se esqueça de incluir os conhecimentos específicos em softwares.
 
Valorize as experiências: principalmente se forem poucas, não se limite a descrever as funções e tarefas. O recrutador não está interessado em saber a rotina, e sim as suas conquistas e o que trouxe de benefício para a empresa a partir da sua atuação.
 
Por exemplo, a partir do trabalho que desenvolveu, conseguiu melhorar a produtividade do departamento ou obteve um ganho de clientes. Se puder, inclua três principais resultados em cada emprego.
 
Palavras-chave e termos de busca são essenciais: os processos seletivos acontecem online. Sendo assim, vale a pena dedicar um tempo para caprichar nessa seleção. Palavras-chave funcionam como um sinal para que o currículo seja encontrado.
 
Atualmente, os recrutadores usam mais de cem critérios de filtros para buscar currículos. Uma boa dica é buscar as competências e habilidades pedidas nos próprios anúncios de vagas. No site do Vagas.com, o Mapa de Carreiras é uma ferramenta interessante, que destaca palavras-chave das profissões.
 
“A pesquisa também funciona para medir se as suas habilidades e competências correspondem ao que o mercado está pedindo”, disse Thayane.
 
Prefira currículos padronizados: é muito importante padronizar as informações. Na hora de avaliar dezenas e dezenas de currículos num dia, o recrutador precisa bater o olho e identificar as suas informações. Se encontrar dificuldade na leitura, com diferentes fontes, cores, sem uma ordem lógica, ele provavelmente desistirá antes de chegar ao meio, e vai passar para o próximo, afirmou a especialista.
 
Na internet, existem inúmeros modelos, mas o ideal é escolher um que seja mais clássico.
 
Para quem nunca montou um currículo, uma boa dica é preencher o formulário em um dos muitos sites de empregos. No final, gere um PDF, salve no seu computador e no celular, para eventuais oportunidades.
 
Anexe o currículo no LinkedIn: embora a rede em si já seja o seu currículo, ao anexar um PDF do seu currículo, o recrutador poderá imprimir —o LinkedIn não dá essa opção.
 
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